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Sistemas tecnológicos são tendência para escritórios

Atualizações no Direito são importantes para o avanço da área
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Texto original de Jaire Filho, publicado na versão impressa do Jornal do Comércio de Porto Alegre

As novas tecnologias vêm alterando o modo de se fazer Direito. Escritórios têm novos equipamentos, os autos são relacionados em âmbito virtual, muitos documentos podem ser acessados remotamente pelas partes, e audiências por videoconferência são comuns. A pandemia forçou o processo de atualização dessas empresas e instituições, que precisavam impedir o acúmulo de processos e garantir uma maior agilidade do poder Judiciário. Além disso, ajudam a diminuir o consumo de papel em tribunais e instituições. Esse tipo de sistema focado em organização já é utilizado na maioria dos tribunais brasileiros, mas as novas tendências apontam para programas focados nos escritórios e que facilitem o trabalho dos advogados.
Um dos pontos mais sabidos em relação ao Direito é o sobrecarregamento dos profissionais, já que há grande demanda de ações movidas no País. Em 31 de dezembro de 2021, o Brasil possuía 71 milhões de processos em tramitação. Portanto, há grande necessidade por organização nas milhares de instituições jurídicas e a utilização de novos sistemas com inteligência artificial e capacidade organizacional poderá ser o futuro dos escritórios. Esses programas são desenvolvidos por empresas chamadas de lawtechs ou legaltechs. A Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) informou a existência de 106 startups
ligadas ao Direito e tecnologia, em março de 2019. Apenas duas dessas empresas tinham o setor público como alvo. O fato demonstra como o investimento na área está aumentando e também como o alvo desses programas jurídicos é o setor privado, com sistemas focados na facilidade de utilização e capacidade de organização.
O Jornal da Lei compareceu ao Legal Innovation Experience, evento sobre tecnologia no Direito ocorrido na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Pucrs), e conversou com a advogada Caroline Francescato da Rosa, fundadora e CEO da rede social LinkLei, e especialista em tecnologia no Direito.

Caroline comentou sobre a funcionalidade das lawtechs, empresas focadas em solucionar problemas das empresas jurídicas.

Jornal da Lei – O que são as Lawtechs/Legaltechs?
Caroline Francescato – Legaltechs são empresas que utilizam da tecnologia para resolver problemas jurídicos ou para auxilia os profissionais jurídicos e advogados no dia a dia. A gente vai ter lawtechs que vão tentar diminuir um pouco o número de processos e lawtechs que atuam na parte de auxiliar o advogado com automatização de processos, analise e predição de riscos. São empresas que utilizam das tecnologias jurídicas para resolver problemas ou auxiliar os agentes jurídicos a resolvê-los.


JL – O Direito brasileiro está atrasado em relação à tecnologia?
Caroline – A gente não pode dizer que o Direito no Brasil está atrasado em relação à tecnologia, porque quando a gente olha para outros países, a gente tem mais de duzentas empresas de tecnologia. O Brasil é o primeiro país que pode ter uma Justiça 100% digital. Porque nós já temos bastante evoluída essa questão de digitalização dos processos.

JL – O Brasil é o país com maior número de advogados por habitante. Como a tecnologia pode criar novas funções no Direito?
Caroline – A tecnologia tem gerado mais oportunidades e possibilidades para os profissionais
que a têm encarado como aliada. Acho que esse é o diferencial daquele profissional que não vai ter
oportunidade para o que vai ter. Sim, nós temos um número gigantesco de profissionais por habitante, mas aí a gente começa a pensar nas novas profissões que existem. Não só o profissional que vai ter a OAB e advogar, mas a possibilidade de engenheiros jurídicos, diretores jurídicos de inovação. A gente tem um grande número de advogados, mas temos mais de três mil novas funções que estão surgindo por causa da tecnologia jurídica.


JL – Como os profissionais antigos lidam com as novas tecnologias?
Caroline – As pessoas têm tido um receio pelo motivo de acharem que serão substituídas por robôs.
Mas na verdade, a tecnologia nos ajuda a avaliar melhor as habilidades do humano, tornando nosso trabalho menos robotizado. A tecnologia deixa para o robô as ações repetitivas, ações em massa, e deixa para o humano a parte de comunicação. Acredito que os profissionais mais antigos têm a parte das Softskills evoluídas. São profissionais que sabem comunicar muito bem. Por mais que não consigam ser adeptos às novas tecnologias, eles podem usar desses outros artifícios. A tecnologia, a inovação, gera estranheza no começo, mas depois é algo que a gente não consegue se imaginar sem. Podemos usar o exemplo do smartphone. As pessoas mais velhas atualmente não conseguem se imaginar mais sem o smartphone e as redes sociais. Então acho que é só a questão de entender como elas (as tecnologias) podem caminhar junto com o nosso trabalho.

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