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EMPREENDEDORISMO: DE ARTESÃ A FOUNDER & CEO DE UMA LEGALTECH

Publicado em
caroline vasconcellos 2024

Publicação original, Caroline M. A. Vasconcellos

Nasci com a veia empreendedora. Recordo-me que entre os 07 e 11 anos de idade tive vários negócios na pacata cidade de cerca de 20.000 habitantes onde cresci, chamada Ibirubá/RS: comecei confeccionando cartões de Natal com folhas de cartolina, grimpas e algodão – até que deu certo, mas foi uma demanda sazonal; então decidi fazer bloquinhos de papel com folhas de ofício, utilizando uma máquina de costura da minha mãe para fazer a parte destacável – até quebrar todas as agulhas e inviabilizar o meu negócio; depois, no alto de um verão escaldante, resolvi abrir uma banca de picolé e sacolé (ou geladinho) em frente à minha casa – mas como eu não dispunha de gelo suficiente para conservar os produtos na caixa de isopor por muito tempo, um pouco eu vendia, outro pouco eu consumia e o restante acabava derretendo e indo fora; por fim decidi vender limonada, afinal tinha limoeiros em casa, era mais rápido e fácil de produzir e não precisava de tanto gelo – porém, nem todo mundo gostava.

Ainda teve uma época em que eu, muito tecnológica e oportunista, resolvi abrir um escritório de detetive dentro de um canil que estava desocupado (foi do nosso cão Fila), utilizando uma extensão e um pequeno televisor que descobri que captava a frequência dos telefones da vizinhança. Mas como ninguém contratou os meus serviços, depois de enjoar de ouvir as conversas, acabei fechando o estabelecimento.

Ainda na década de 90, creio que com 11 ou 12 anos, assim que abriu o primeiro curso de informática na cidade, garanti a minha inscrição: MS-DOS! E depois se sucederam outros tantos (Windows 95, Access, Word, Excel…).

Mas, por acreditar que a minha vocação estava relacionada ao Direito, aos 16 anos passei no vestibular e me mudei para Porto Alegre para cursar a Faculdade de Direito da PUCRS. Muita gente escolhe o Direito pensando em futuramente prestar concurso público para magistratura, promotoria, defensoria, para ser delegado, escrivão, ou ainda qualquer cargo que lhe proporcione uma estabilidade financeira. Porém, há quem ingresse na faculdade com a pretensão de advogar, este foi o meu caso.

Desde o primeiro semestre da faculdade fiz estágios em escritórios de advocacia. Formei-me, passei no exame da ordem e tornei-me advogada. Adquiri independência financeira, fiz duas especializações e também cursei Letras no meio do caminho para aperfeiçoar a minha retórica.

Mas confesso que depois de 15 anos de “advocacia tradicional” comecei a me sentir um peixe fora d’água… e não entendia o porquê.

Eis que veio a pandemia e com ela a oportunidade de eu realizar um profundo trabalho de autoconhecimento envolvendo a identificação das minhas principais virtudes, valores, dons, habilidades, recursos, além, evidentemente, das minhas fraquezas e áreas de melhoria. Foi então que eu me dei conta de que o meu sentimento de frustração decorria do subaproveitamento do meu potencial, da minha energia. Ok, mas de que forma eu deveria utilizá-los?

Segui meditando, estudando, lendo, fazendo cursos até que… bingo, descobri a resposta que eu tanto procurava: através do Legal Design, claro!

Permitindo que o direito, o design (em suas diversas áreas), a tecnologia e a inovação caminhem juntos, pois a junção desses conhecimentos faz total sentido para mim.

Assim, passei a ver o mundo jurídico sob outra perspectiva e a minha criatividade, que andava adormecida nas últimas décadas, aflorou novamente.

Iniciei 2021 cheia de ideias inovadoras e decidida a criar uma Legaltech, mas não tinha ideia de por onde começar. Bem, primeiro eu precisava ingressar nesse mundo e nada melhor que me associar à AB2L – Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs.

E foi por meio de um informativo semanal da AB2L que tomei conhecimento de que o Founder Institute, a maior aceleradora de startups pré-seed do mundo, com sede no Vale do Silício, havia aberto um processo seletivo para um programa aqui no Rio Grande do Sul. Inscrevi-me e fui uma dos 20 alunos aprovados.

Eu não tinha apenas uma ideia, tinha três. Mas dentro do programa, com metodologia desenvolvida no Vale do Silício, com as melhores práticas globais de construção de startups  e com o auxílio espetacular dos mentores e líderes locais, escolhi a ideia mais escalável no momento e, ao término de 4 meses intensos (e tensos), transformei-a em uma startup pronta para o mercado: a Digital BooX, plataforma pioneira no Brasil de gestão de livros societários digitais.

E mais, além de ter sido uma entre os 05 alunos que tiveram sucesso em chegar ao final do programa e se graduar, eu fui a aluna destaque tendo a minha startup indicada para participar do programa de pós-graduação do Founder Institute diretamente com o time do Vale do Silício, o Founder Lab.

Finalmente, após passar por um período de testes e ajustes, a Digital BooX “saiu às ruas” e já fechou as suas primeiras vendas.

O que posso dizer é que estou muitíssimo orgulhosa e feliz com esse resultado, mas, principalmente, com a caminhada!

Quero agradecer, de coração: ao meu time, por ter acreditado na ideia e apostado no seu sucesso comigo, mesmo em condições de incerteza; à minha sócia na BAH, pelo apoio e torcida, mesmo ciente de que este projeto me distanciaria um pouco do escritório; aos empresários com quem conversei e foram fonte de inspiração, além de terem me dado aquele empurrãozinho que faltava para empreender; aos colegas de programa – especialmente aqueles que percorreram a jornada até o final comigo, tornando-a menos solitária; aos líderes, professores e mentores do Founder, por todo o aprendizado e dedicação; e, por fim, aos clientes visionários que estão apostando na nossa solução.

Garanto a vocês: este é só o começo! E vamos que vamos!

www.societariodigital.com.br

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