Tecnologia revoluciona departamentos jurídicos: Data Analytics e Legal Design

Imagem: Divulgação

Os escritórios de advocacia estão diante de uma verdadeira revolução na forma de atender as demandas apresentadas por seus clientes, se aproximando cada vez ao modelo de atendimento de empresas de tecnologia e incorporando técnicas já testadas em outros setores, como o de Serviços Financeiro, Seguros, Marketing e, até mesmo, Jornalismo.

Esta mudança é reflexo imediato das expectativas dos Departamentos Jurídicos que, como um todo, deixaram de ser tidos como áreas de custo e passaram a ser cobrados como setores de estratégia para a construção de um negócio saudável para as empresas das quais fazem parte.

A aproximação dos escritórios de advocacia às empresas de tecnologia passa por uma adaptação de estruturas internas, com modernização de suas atividades de atendimento, criando cargos de Experiência de Clientes, Marketing e Desenvolvimento de Negócios, e modernizado as suas entregas tanto no conteúdo, quanto na forma.

“Percebemos uma lacuna no mercado, os departamentos jurídicos enfrentam desafios para selecionar os melhores provedores de tecnologia e para implementar soluções que atendam suas necessidades. Diante disso, identificamos uma oportunidade que agrega valor ao escritório e resolve a dor dos nossos clientes.  Utilizando nossa expertise em projetos de legal operations, estabelecemos parcerias com lawtechs que complementam nossas competências, para oferecer aos nossos clientes um serviço diferenciado, que reúne direito, tecnologia e gestão.” Gustavo Viseu, Sócio do Viseu Advogados.

Uma das legaltechs que trouxeram essa mudança na experiência é a EHTS – Lawtech e Insurtech, que observou um aumento expressivo de demandas para seus serviços de data analytics, jurmetria e modelagem de dados jurídicos a partir de escritórios de advocacia.

“Ficamos impressionados com a explosão na procura dos escritórios de advocacia pelos nossos serviços nos últimos 3 meses. Tradicionalmente, atendíamos apenas departamentos jurídicos, mas a demanda das empresas por soluções mais completas dos escritórios, especialmente considerando critérios objetivos, estatísticos e financeiros para a gestão de seus passivos jurídicos, fez com que os escritórios nos vissem como uma ferramenta complementar e essencial em suas entregas.” comentou Fabio Floh, CEO da empresa.

Se por um lado, acompanhando outras indústrias, a decisão baseada em dados se torna uma imposição da realidade moderna do gestor jurídico – no que se tornou conhecido como uma lógica “DataDriven” –, a forma como são apresentados os resultados dos estudos para os clientes e das petições para o judiciário, também enfrenta um mudança mais do que relevante.

A experiência de Legal Design, entrou até mesmo na comunicação do Supremo Tribunal Federal que, recentemente, produziu material de divulgação de suas atividades e com pautas relevantes junto com o Maurício de Souza Produções. Parece pouco provável, mas parece que as togas se juntaram a Mônica, Cebolinha e sua turma na comunicação do Direito.

A construção de uma cultura baseada em dados no Direito, a comunicação fácil e fluída por formatos menos sisudos e formais, vem sendo incorporadas por profissionais com experiência jurídica, mas também olhar diferenciado para esta questão.

Fabio Floh, ainda, observa que “No desenvolvimento de novos produtos, incorporamos técnicas e gestão de projetos, metodologia ágil, assim como ferramentas de produtividade para identificar pontos de melhoria e criar produtos diferenciados, atendendo as necessidades específicas de cada cliente, juntamente com o Escritório ou Departamento Jurídico. Precisamos trazer à mesa equipes multidisciplinares e com competências complementares.”

Dessa mescla de técnicas e funções, o atendimento do Cliente como ponto central do negócio jurídico passou de função adicional para principal, sendo que as legaltechs parecem, ao mesmo tempo, forçar os escritórios a se adaptar a essa realidade e ser o motor e propulsor de mudanças que prometem mudar definitivamente o palco da advocacia moderna.

Fonte: Revista Economia

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