Seis tecnologias inovadoras que merecerão atenção em 2021

Apesar do marketing e da hype em cima da Inteligência Artificial, ela ainda tem pouco de “inteligente” e muito de “artificial”. A criação e o treinamento dos algoritmos são tarefas específicas e muito limitadas, quando se trata de lidar com novos problemas e navegar em ambientes desconhecidos.

Daniel Marques (*)

MIT Tecnology Review, publicação norte-americana referência em inovações, apontou recentemente as 10 tendências tecnológicas para 2021 e a lista faz parte de uma seleção anual, que neste ano comemora sua vigésima edição. O texto é recheado de destaques, mas meu intuito será apontar seis tendências pertinentes à realidade brasileira.

O primeiro destaque é o uso do RNA mensageiro para desenvolvimento das vacinas. Os dois imunizantes mais eficazes contra o novo coronavírus (Covid-19) usam uma tecnologia que está há 20 anos em desenvolvimento. Trata-se de uma técnica mais barata que promete desenvolver soluções genéticas mais acessíveis para doenças como o HIV e até mesmo o câncer. Quem diria, apesar de todos os problemas da pandemia, estamos falando da cura de doenças até então consideradas incuráveis.

Em seguida, uma das tecnologias que fez mais barulho no meio tecnológico no ano passado foi o avanço da Inteligência Artificial com o GPT-3, um dos mais avançados modelos de linguagem natural que aprende a escrever e falar através de milhões de textos e base de dados disponíveis na Internet.

Como se trata de uma tecnologia ainda incipiente, seu custo é elevado, necessitando de um grande poder computacional e uma quantidade de dados de que apenas laboratórios com grande financiamento podem dispor. Ainda assim, em breve, diante de todos os avanços que estamos lendo, estará mais acessível para utilização.

Um desafio associado a todo modelo de linguagem computacional é a capacidade de criar mecanismos técnicos e filtros éticos capazes de identificar e corrigir os vieses negativos e preconceituosos.

Também destaco uma das promessas dos próximos anos: o crescimento acelerado do uso de carros elétricos. Por exemplo, a União Europeia quer popularizar 30 milhões de veículos elétricos até 2030 e com isso antecipar o banimento dos carros a combustão para 2025.

A despeito do nosso otimismo, os obstáculos são muitos. É preciso lembrar dos preços mais elevados, da autonomia baixa e do tempo de recarga elevado dessas baterias elétricas. Além disso, há estudos que demonstram que na matriz energética de cada país – especialmente os que têm como base o carvão -, mesmo trocando a forma de combustível, a emissão de CO2 não diminuirá de uma hora para a outra.

Felizmente, uma startup do Vale do Silício já se mostra de olho nesse desafio, desenvolvendo uma bateria que pode aumentar o alcance do veículo em 80%, consumindo menos para andar mais. Outro destaque também dentro do universo dos carros é o que diz respeito à navegação espacial.

Apesar de o GPS hoje possuir uma precisão de 5 a 10 metros, não é o suficiente para uso de carros autônomos e entregas feitas por robôs e drones autônomos. Para sua eficácia total, é necessária uma precisão de milímetros. Felizmente, uma das empresas que está conseguindo alcançar essa transformação é a Beidou, que fabrica um sistema de navegação global chinês.

Aliás, o próprio GPS, que existe desde 1990, está recebendo atualizações para melhorar a acurácia com o lançamento de quatro novos satélites.

Assistência médica remota

A publicação do MIT aponta também os avanços na assistência médica remota, capazes de salvar a vida de milhões de pessoas. Aqui no Brasil, durante a pandemia, a portaria 467/2020 do Ministério da Saúde flexibilizou o atendimento remoto. É importante ressaltar a significância do aplicativo criado pelo ministério, evitando 64% das idas aos serviços de saúde presenciais, desafogando o Sistema Único da Saúde (SUS). Atualmente estima-se que mais de dois milhões de pessoas já usaram a ferramenta.

Por último, mas não menos importante, apesar do marketing e da hype em cima da Inteligência Artificial, ela ainda tem pouco de “inteligente” e muito de “artificial”. A criação e o treinamento dos algoritmos são tarefas específicas e muito limitadas, quando se trata de lidar com novos problemas e navegar em ambientes desconhecidos.

Para melhorar a qualidade e o nível da Inteligência Artificial, uma das abordagens necessárias é ampliar seus “sentidos”, combinando múltiplas habilidades como ver, sentir, ouvir e se comunicar e assim ter uma melhor percepção do ambiente.

Independentemente de as principais tendências indicadas pela MIT realmente se consolidarem, uma coisa é certa: a tecnologia tem avançado e está transformando o modo como nos relacionamos entre nós e com o mundo. Saber compreender e adaptar-se a essa nova realidade é uma habilidade essencial.

(*) Diretor da Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L) e doutorando em Direito pela UERJ focado em Inteligência Artificial, Ética e Regulação.

Referência: Law Innovation

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