Por que o Dia Mundial Sem Carro não deveria ser apenas um dia?

Imagem: Reprodução

Na maioria das cidades brasileiras, a concentração de trabalhos, educação, serviços e lazer nas áreas centrais, cria a necessidade de deslocamentos pendulares. Nesse cenário, a mobilidade é ferramenta fundamental para garantir o direito à cidade a todos. A necessidade de um transporte de qualidade e econômico ganha mais importância quando consideramos que, segundo estudo do IBGE de 2018, o transporte é o segundo fator que mais impacta a renda das famílias, atrás apenas dos custos de habitação.

Nesse sentido, a bicicleta por si ou aliada ao transporte coletivo é a opção mais barata. Enquanto o transporte privado pode chegar a um custo anual de R$20.000,00, a combinação transporte público e bicicleta chega a R$2.800,00 e a bicicleta R$1.056,00. Essa economia reflete diretamente na renda familiar disponível, que poderá ser direcionada para outros setores como alimentação e lazer.

A bicicleta, além de ampliar a acessibilidade, reflete positivamente no PIB das cidades. De acordo com levantamento realizado pela Quanta Consultoria, o Brasil perde R$ 267 bilhões por ano com congestionamentos, o que corresponde a cerca de 4% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Com base no estudo do CEBRAP, se a maioria das viagens de até 8km fossem feitas de bicicleta, o tempo perdido no congestionamento se reduziria 11%. Apenas em São Paulo, isso significaria um aumento no PIB de R$225 milhões por ano.

Quando falamos em saúde e sustentabilidade, o uso da bicicleta além de melhorar o condicionamento físico, reduzindo gastos do SUS, diminui as emissões de gases do efeito estufa. Sabe-se que os deslocamentos por automóvel são os vilões do aquecimento global, respondendo por 72,6% das emissões de gases estufas (GEE).

Apesar de todo o benefício da mobilidade ativa para os indivíduos e cidades como um todo, ainda temos políticas públicas de incentivo ao modal muito tímidas. Apesar de os municípios estarem investindo mais em ciclovias, ainda temos aproximadamente 80% da infraestrutura viária dedicada a 20% dos deslocamentos que são feitos pelos automóveis. Quando consideramos que a existência de infraestrutura, reflete nos níveis de segurança dos deslocamentos e que esse é um dos principais fatores que influencia a escolha pelo modal, percebemos que temos um longo caminho a percorrer para a transformação das cidades em que vivemos e da nossa cultura ainda tão focada no automóvel.

Segundo estudo realizado em São Paulo, 60% dos deslocamentos são de até 5 km, distância facilmente percorrida a pé ou com bike. Nesse sentido, é fundamental que iniciativa privada, poder público, academia e sociedade civil trabalhem juntos na construção de políticas públicas que nos direcionem para uma mobilidade mais eficaz.

Existem milhões de razões para optarmos pela bicicleta. Neste dia, eu te convido a experimentar e descobrir qual dessas razões faz o seu coração bater mais forte. Além de todo o impacto positivo, uma coisa eu posso te assegurar, as sensações de liberdade e bem-estar são únicas!

Texto original de Juliana Minorello, publicado no Linkedin

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