Lawtechs: 4 dúvidas frequentes

Publicado em
Lawtechs: 4 dúvidas frequentes

Mais de mil advogados estiveram presentes no evento da Startse para debater o uso de tecnologia no mercado jurídico. Ainda assim, acredito que estamos vivendo apenas o início da onda das Lawtechs no Brasil. Minha percepção é de que esse movimento tende a ganhar grande intensidade no ano de 2018. Ou seja, ainda estamos observando o começo da curva. Ainda assim, algumas questões repetidas parecem surgir com grande recorrência no meu entorno. Como forma de contribuir com o debate, passo a apresentar minha visão a respeito das dúvidas (trata-se de análise subjetiva que pode estar completamente equivocada).

1. A advocacia irá acabar?

Apesar do sensacionalismo que permeia o tema. Tenho absoluta certeza que a advocacia não irá acabar. A maior parte dos produtos das empresas denominadas de Lawtechs são direcionados para advogados de departamentos jurídicos, escritórios e/ou advogados individuais. Desta forma, trata-se de um grande equívoco acreditar que as Lawtechs vieram para disputar mercado com advogados. Muito pelo contrário, a ideia é dar mais eficiência para advogados, escritórios e departamentos jurídicos.

2. Como a OAB vai reagir ao fenômeno das Lawtechs?

A OAB é uma entidade abrangente e que representa posicionamentos dos seus diversos integrantes. Penso que é muito temerário supor que a OAB possa ser personificada em uma única opinião. Da mesma maneira que alguns se opuseram a troca da máquina de escrever pelo computador ou discordaram do uso de e-mails por advogados, certamente tendências mais conservadoras podem existir. No entanto, de maneira geral, meu sentimento é que a maior parte dos advogados que integram quadros na OAB estão bastante entusiasmados com o fenômeno das Lawtechs.

Grande leva de profissionais (eleitores e formadores de opinião das próximas eleições) são jovens e entusiastas de tecnologia. Desta forma, vivemos uma oportunidade história, – bem observada por algumas lideranças –, de conectar a instituição com o atual mercado.

Isso não significa dizer que o respeito ao Estatuto e demais normas deva ser deixado de lado. Em verdade, a OAB deverá manter sua postura de zelar pelos ditames legais. Assim, empreendedores de Lawtechs devem cumprir com o que está disposto na legislação em vigor. Debates com o objetivo de oxigenar as normas existentes podem ocorrer e serão relevantes, mas é fundamental o respeito pleno ao ordenamento jurídico pátrio.

3. Quais categorias de produtos estão sendo mais adotadas pelo mercado?

Muita coisa boa está disponível no mercado! Em que pese a existência de muitos produtos interessantes, listo apenas três categorias que entendo (não como Presidente da AB2L, mas como indivíduo que vivencia o mercado) estarem em alta nesse momento e devem crescer exponencialmente no ano de 2018. São elas:

Automação de documentos: Vejo que as empresas que estão atuando neste segmento estão ganhando grande aderência no mercado. Existe um oceano azul a ser conquistado, mas progressivamente ele irá ser dominado por Lawtechs que já contam com softwares de alta qualidade.

Jurimetria: O uso de plataformas de jurimetria tem a potencialidade de mudar radicalmente a forma de se advogar no Brasil. Produtos interessantes já se encontram no mercado e há uma tendência grande de melhoria dos mesmos. Certamente é um caminho sem retorno e o início de uma advocacia científica e fundada em números.

ODR (Plataformas de Acordo): Aqui posso falar como alguém que está vivenciando a questão dia e noite. Os números de advogados inscritos, números de petições inseridas, empresas aderentes e acordos celebrados vem crescendo exponencialmente no Sem Processo (semprocesso.com.br). Eu e o time temos a impressão clara de que a revolução da forma de resolver conflitos no Brasil já se iniciou. O gráfico abaixo ajuda a demonstrar a diminuição de recursos no país:

4. O mercado jurídico está sendo alterado?

Tenho repetido com alguma frequência minha percepção de que a revolução vivenciada no mercado jurídico é de caráter cultural. A tecnologia só impulsiona determinados comportamentos. No entanto, tenho a plena convicção de que o mercado jurídico tradicional está sendo impactado interna e externamente pelo uso de tecnologia. A realidade cultural do século XXI está chegando nos ambientes jurídicos. Maior igualdade de gênero, racial e liberdade sexual são alguns dos temas relevantes.


Por: Bruno Feigelson

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/lawtechs-4-d%C3%BAvidas-frequentes-bruno-feigelson/?trackingId=7Y5dnfO4Urdx0E7H14jfFg%3D%3D

COMPARTILHAR
VEJA TAMBÉM
O fim do software jurídico no Brasil, por Vinícius Marques

O fim do software jurídico no Brasil, por Vinícius Marques

Assessorando negócios com startups

Assessorando negócios com startups

Metaverso será a próxima onda das ODRs? Uma disrupção sem fronteiras

Metaverso será a próxima onda das ODRs? Uma disrupção sem fronteiras

Decreto 11.129/22 e o programa de integridade nas empresas – o que muda?

Decreto 11.129/22 e o programa de integridade nas empresas - o que muda?

Quais são as habilidades do advogado do futuro?

Quais são as habilidades do advogado do futuro?

UNIÃO ESTÁVEL NO METAVERSO?

UNIÃO ESTÁVEL NO METAVERSO?

Como se darão as conexões no Metaverso (Em suas mais variadas searas)  

Como se darão as conexões no Metaverso (Em suas mais variadas searas)  

Blockchain na administração pública e o case Real Digital

Blockchain na administração pública e o case Real Digital

EMPRESAS ALIADAS

Receba nossa Newsletter

Nossas novidades direto em sua caixa de entrada.