GVAngels quer dobrar investimentos em startups em 2022

Wlado Teixeira, diretor executivo do grupo de anjos GVAngels, comenta o cenário de 2022 para as startups brasileiras.
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Imagem: Pixabay

Texto original de Gustavo Brigatto, publicado pela Startups

A única vantagem de ser velho é a experiência”, brinca Wlado Teixeira, diretor executivo do grupo de anjos GVAngels, e uma das figuras mais ativas – e carismáticas – do ecossistema de startups nacional. Dá só uma olhada no LinkedIn dele para você ver.

E é do alto dessa experiência de mais de 70 anos de vida, sendo cinco décadas atuando no mercado de tecnologia, que ele tira as bases para o otimismo com o mercado e o desempenho positivo esperado para a GVAngels em 2022 – apesar de todas as turbulências na política e na economia. “O Brasil é um país jovem. Entra e sai de muitas crises. Acredito que em 2022 tem estimativas pessimistas que estão em excesso. Não acho que o mercado de startups estará pior neste ano”, avalia.

Para Wlado, tampouco deve haver uma correção nos valores das rodadas. “Em 2020 houve uma pequena queda por conta da pandemia. Mas agora tem muito dinheiro disponível. E o Brasil está ficando mais importante, mas respeitado no mercado de startups. É difícil não esticar o valuation com isso”, completa.

Dobrando a meta
Com esse cenário, ele diz que a GVAngels pretende dobrar o número de aportes feitos e também o volume de recursos aplicados ao longo de 2022. Isso significa alocar R$ 30 milhões em 30 negócios. Se a projeção se concretizar, o grupo de investidores formado por ex-alunos da Fundação Getúlio Vargas fecha o ano com um portfólio de mais de 70 startups e mais de R$ 60 milhões aportados em 5 anos de operação.

Na avaliação de Wlado, o valor investido pode ter um salto ainda mais acelerado dependendo do perfil dos investimentos feitos. “A gente olha quase 400 startups por ano. Fazer 30 investimentos não é um número altíssimo. É 7,5%. Temos capacidade para isso. O gargalo é conduzir os processos”, diz Wlado.

Na lista dos aportes já feitos estão nomes como ChatClass, deônibus, Gamersafer, resolvi e unbox. Em outrubro/21, o grupo teve seu 1º exit com a venda da Chiligum para a Vidmob. A companhia estava há pouco mais de 1 ano no portfólio. Em 2020, integrantes do grupo participaram de uma rodad de R$ 2 milhões feita com a BRAngels. De acordo com Wlado, o lucro na operação foi de 78%.

Por outro lado, o grupo está em discussão sobre o que fazer com uma empresa que não está indo muito bem e pode virar sua 1ª baixa (write off).

Os gargalos
Segundo ele, são basicamente duas as dificuldades, que já estão sendo endereçadas. Uma operacional, da estrutura interna do próprio grupo, que está sendo ampliada. Em dezembro a GVAngels perdeu um quadro importante, William Cordeiro, que foi para a SaaSholic. “Não está fácil contratar. Os fundos pagam muito melhor que os grupos de anjos”, diz Waldo.

A outra questão é a disponibilidade de investidores disponíveis para liderar as rodadas. Como não são fundos de investimento com um pote de dinheiro esperando para ser usado, os investimentos são feitos caso a caso, os grupos de anjo normalmente trabalham com a figura do investidor-líder, que é quem fica responsável pelo andamento do investimento.

Geralmente se trata de uma pessoa já com alguma experiência em investir em startups, processos de M&A e disponibilidade de tempo por gerenciar todas as etapas. No modelo da GVAngels, que liderou também fica como ponto único de contato do grupo na startup após o investimento, para tornar o relacionamento mais simples.

De acordo com Wlado, até dois anos atrás era difícil ter quem liderasse as rodadas. Mas o grupo investiu no treinamento e agora já tem bastante gente topando assumir a lideranças das negociações. Hoje são mais de 300 investidores participando das rodadas. O cheque médio está na cada dos R$ 30 mil – sendo que o mínimo exigido é de R$ 20 mil. Segundo Wlado, o tamanho dos cheques tem aumentado significativamente.

Cheques maiores
Em 5 anos, nunca tinha aparecido um cheque único maior que R$ 150 mil. Em um aporte recente, veio um de R$ 150 mil e outro de R$ 200 mil. “Um investidor queria colocar R$ 400 mil mas eu não deixei [para não ficar pesado pra ele nem uma participação muito grande e muito diferente do resto dos investidores]”, conta. Hoje a GVAngels faz cheques que podem chegar a R$ 1,3 milhão, contra patamares de R$ 400 mil a R$ 500 mil há 2 ou 3 anos.

Com mais recursos, o grupo tem sido convidado a participar de rodadas com outros fundos. “Tem aluno da GV em todo lugar e eles abrem espaço para a GVAngels. Tudo isso me faz crer que será um ano bom independentemente do que acontecer no mercado”, completa Wlado.

Para ele, o fato de a bolsa estar indo mal pode até ser um impulsionador do interesse em investimentos. “Vai entrar mais dinheiro de que não estava investindo em startups. O cara olha para a bolsa, que não está indo bem e vê que poderia tirar um pouco para colocar em boas startups. Isso já está virando um complemento para os executivos, que já ouviram de amigos que investiram em startups. O conceito está se alastrando”, avalia Wlado, aproveitando para reforçar que não é bom dedicar mais do que 7% a 8% dos investimentos para as startups.

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