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Ciência de dados se ‘infiltra’ em formações não tecnológicas

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ARQUIVO 30/10/2017 METROPOLE Alessandra Montini, professora da FIA Crédito: Tayna Sousa

Conhecimentos de Big Data são incorporados a especializações nas áreas de Direito e Administração

SÃO PAULO – Computação cognitiva, inteligência artificial, tecnologia blockchain, modelagem de dados. Termos como esses, comuns ao universo de tecnologia da informação, estão se infiltrando no jargão de outras profissões. Entraram, por exemplo, no vocabulário do advogado Leandro de Paula Souza, desde que ele fez o curso de Ciência de Dados Aplicados ao Direito, do Instituto de Direito Público de São Paulo (IDP).

09Souza garante que o aprendizado está sendo aplicado no dia a dia profissional. “Os conceitos que aprendi já estão sendo úteis, porque atuo em questões relacionadas ao Sistema Público de Escrituração Digital e em comissões de Direito Digital e de compliance, em que estes temas são discutidos com bastante frequência”, diz.

Assim como no cotidiano de Souza, a necessidade de lidar com um volume de dados sem precedentes está na rotina de muitos advogados, o que fez o curso de curta duração do IDP na área ganhar até lista de espera para as próximas edições.

“Temos todos os processos digitalizados, temos a lei de acesso às informações, mas precisamos aprender a trabalhar com essa riqueza de dados de forma que ela nos auxilie a tomar boas decisões”, afirma Alexandre Zavaglia, diretor executivo do IDP.

Uma tecnologia pode ler petições em uma velocidade que nenhum ser humano seria capaz e pode indicar quando é melhor fazer acordo, quando é melhor discutir.

Alexandre Zavaglia, diretor executivo do IDP

Como os advogados, profissões de formações diversas têm se lançado ao desafio de aprender a lidar com o chamado Big Data. “Os principais segmentos que estão demandando cursos são os setores financeiro, ou seja, os bancos, e o de telecomunicações”, afirma Alessandra Montini, coordenadora dos cursos in company de MBA em Big Data e Data Mining da Fundação Instituto de Administração (FIA). Há demanda, contudo, de quase todas as áreas. A FIA já promoveu o MBA para farmacêuticas, empresas do setor de alimentos, seguros, varejo, área médica e comunicação.

Levar o tema a alunos de diversas formações é um desafio das instituições de ensino, que têm optado por segmentar seus cursos por áreas de atuação para lidar com as necessidades específicas de cada carreira. “É complicado trabalhar um tema tão técnico com profissionais que não têm formação em exatas. Temos uma camada de tecnologia, em que as pessoas precisam entender de captura de dados e elaboração de banco de dados. A parte de análise e de modelagem é mais fácil, porque já existem programas prontos”, diz Alessandra.

Negócios

Os gestores são outro público com interesse em se aprofundar nas ciências de dados. Para responder a essa demanda, a Fundação Getulio Vargas (FGV) lançou há dois anos um MBA em análise de dados de negócios.

“O curso tem inspiração em outros do exterior, mas customizamos para nossa realidade, para os negócios brasileiros. É desejável ter algum conhecimento prévio de computação, mas damos os fundamentos das técnicas. Se a pessoa tiver motivação e se se dispuser a estudar, ela acompanha”, diz José Luiz Kugler, coordenador do MBA da FGV.

A ex-aluna Maria Clara Couto, que trabalha como gestora de projetos, mas teve a Psicologia como formação inicial, terminou o MBA há um ano e diz ter conseguido aproveitar bem o curso. “Trabalhei muito com pesquisa, tinha alguma base, mas ainda assim foi bastante desafiador. Aprendi muito também com os meus colegas, porque vários vinham de formações de exatas”, relata.

Fonte http://educacao.estadao.com.br/noticias/geral,ciencia-de-dados-se-infiltra-em-formacoes-nao-tecnologicas,70002066822

Por Luciana Alvarez, especial para o Estado

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