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A importância da governança em startups

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É comum ouvirmos falar sobre a agilidade que as startups conseguem imprimir em seus mercados de atuação, ao contrário de suas colegas mais velhas, as grandes corporações. As startups, por serem empresas pequenas e com times extremamente enxutos, com escassez de recursos (tempo e dinheiro), acabam sendo obrigadas a criar em tempo recorde soluções criativas e escaláveis para explorar mercados normalmente dominados por grandes empresas.

Para aquelas startups que conseguem conquistar algum espaço no mercado, os estágios pelas quais passam são bastante similares. Inicialmente, a missão de toda startup, que começa sempre como uma grande ideia, é encontrar o seu product-market-fit (PMF). As startups, em geral, consomem boa parte dos seus recursos iniciais em busca do PMF. Muitas acabam nunca encontrando. Outras poucas, que têm o privilégio de dominar o processo de validação e construção de um MVP (minimum viable product ou mínimo produto viável), acabam encontrando seu PMF antes que seus recursos se esgotem e os founders (fundadores) sejam obrigados a procurar alguma outra fonte de renda para sobreviver.

Depois que o PMF é encontrado, inicia-se a fase de crescimento, em que a startup precisa entender de que forma irá conquistar de maneira mais estruturada seus clientes. A estruturação do processo de aquisição de clientes requer muita validação de canais, pelos quais a startup irá chegar até seus clientes, e segmentação do público alvo. Uma vez entendido o processo de aquisição de clientes, bem como seus consequentes processos de pós-vendas e etc., a startup estará pronta para a escalada, que poderá torna-la uma referência em seu mercado de atuação.

Todos sabemos que o caminho de uma startup, desde a ideia até o sucesso na escalada, é bastante incerto. Por isso, ao lidar com tantos riscos iminentes, alguns founders acabam se preocupando muito com questões de PMF e validação de canais, enquanto dão menos importância às questões de controle e gestão do negócio.

Quando falamos de controle e gestão do negócio, não estamos falando apenas dos indicadores que mostram o número de novos clientes todos os meses, o churn, ou mesmo o crescimento da receita. O controle e a gestão do negócio lida, também, com processos mais burocráticos, tais como estruturação societária dos founders, regime tributário, controle contábil, regime de contratação de pessoas, adequação às leis e regulamentações dos diversos setores, entre outros. Isso tudo, desde os indicadores de desempenho do negócio, até as questões mais burocráticas, acabam sendo o foco da governança, que deveria existir, desde muito cedo, em qualquer negócio que tenha potencial de escalabilidade.

Muitos founders acabam criando negócios incríveis sem mesmo saber o que significa “governança”. No entanto, na prática, os problemas da falta “dela” acabam aparecendo nos momentos em que a startup mais precisa de agilidade: no momento do aporte de investidores, ou, ainda, no exit para uma grande corporação.

Startups em fases inicias, aquelas que buscam recursos com investidores anjos, obviamente não conseguem definir com absoluta certeza muitos dos pontos dos processos burocráticos citados acima. Isso é completamente aceitável, uma vez que, provavelmente, nem o PMF esteja definido. No entanto, um grande erro é não começar cedo a ter um controle disciplinado de tudo aquilo que será exigido nas próximas rodadas de investimento. Investidores e compradores, em geral, têm uma aversão muito grande a riscos trabalhistas, riscos fiscais, falta de controle contábil, acordos societários mal documentados etc.

Infelizmente, no Brasil, pela falta de governança, a briga de sócios é algo bem comum e que acaba com a startup. Normalmente, empreendedores se juntam com amigos para o desenvolvimento do projeto e não veem a possibilidade de ter brigas, pois já são amigos de longa data, mas isso é um equívoco. Para evitar eventuais discussões, sempre é sugerido fazer desde o começo da startup um acordo de sócios para estabelecer bem a relação entre os sócios, contemplando regras como tag, drag along, non compete, sigilo, propriedade intelectual, entre outras. Desta forma, os sócios ficam bem mais tranquilos, pois existem regras alinhadas na sociedade e, também, quando for apresentar a estrutura ao investidor, este perceberá que os founders estão preparados para a captação e se preocupam com governança no negócio.

Obviamente, a governança não contribuiu somente para o momento do investimento ou de um M&A. No longo prazo, a governança traz transparência, organização e agilidade ao negócio, pois permite que founders, sócios, diretores e conselheiros consigam fazer suas leituras do passado, presente e futuro da empresa com muito mais assertividade. Desta forma, constroem-se empresas com menos problemas durante a fase de escalada e com muito mais chance de sucesso no mercado.

Artigo elaborado por Arthur Braga Nascimento, CEO e fundador da BONUZ, e Michel Zreik CEO e cofundador da Lá Vem Bebê

Fonte: Valor Investe

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