Laura: startup que aplica inteligência artificial na saúde capta R$ 10 mi

Fundada em 2016, a healthtech ajuda equipes médicas e de enfermagem a gerir atendimentos hospitalares
Publicado em
Laura: startup que aplica inteligência artificial na saúde capta R$ 10 mi
Hugo Morales, Jac Fressatto e Cristian Rocha, fundadores da Laura: empresa vai usar o aporte para internacionalização do negócio (Alexandre Carnieri/Divulgação)

A startup curitibana Laura acaba de receber um aporte de R$ 10 milhões para investir na sua inteligência artificial que ajuda na gestão de saúde — a rodada de capital semente foi liderada pelo fundo americano GAA Investments. Antes dessa captação, a empresa havia levantado cerca de R$ 2,5 milhões com investidores-anjo brasileiros.

Fundada em 2016, a healthtech começou suas operações oferecendo para hospitais uma tecnologia que ajuda médicos e enfermeiros a gerenciar o fluxo de atendimento dos pacientes internados. A partir da análise de dados de prontuários e exames, a inteligência artificial da startup indica à equipe de cuidado quais pacientes precisam ser priorizados. Segundo a companhia, sua tecnologia já analisou mais de 10,7 milhões de atendimentos e reduziu a taxa de mortalidade dos hospitais clientes em 25%.

O idealizador do negócio foi o arquiteto de sistemas e empreendedor Jac Fressatto, que perdeu a filha recém-nascida em 2010 para uma infecção generalizada. Inconformado com a perda, passou a pesquisar o funcionamento da área da saúde para tentar entender como evitar casos assim. “Percebi que nos casos graves o principal problema não era o erro médico, mas a demora para tomada de decisão. Então, decidi usar tecnologia para ajudar os médicos a ter mais informação na ponta”, diz o fundador da Laura.

Para ajudá-lo na empreitada, Fressatto convidou o médico infectologista Hugo Morales e o desenvolvedor de software Cristian Rocha, especializado em inteligência artificial para saúde, para serem seus sócios. Hoje a empresa tem 65 funcionários e mais de 40 instituições clínicas clientes.

A partir de 2020, a Laura expandiu sua atuação para fora dos hospitais — em um primeiro passo para se transformar em uma plataforma completa de saúde. Com o novo serviço, batizado de Laura Care, a startup consegue oferecer atendimento primário remoto para operadoras de planos de saúde, hospitais e secretarias de saúde. Como um “pronto-atendimento online”, a Laura ajuda as empresas clientes a fazer uma primeira triagem dos pacientes por teleconsulta.

“Para os nossos clientes, o atendimento remoto ajuda a diminuir os custos com a saúde. Cerca de 50% dos pacientes atendidos pela nossa tecnologia tinham casos leves que conseguiram ser solucionados só com o chatbot”, diz Hugo Morales, diretor médico da Laura. Desde o lançamento, mais de 400.000 pessoas já usaram o serviço.

Plataforma de saúde global

Com a junção dos dois serviços e impulsionada pelo aporte milionário, a Laura quer se posicionar como uma plataforma de gestão de jornada dos pacientes para grandes redes de saúde. O diferencial, segundo os sócios, é o fato de a tecnologia da empresa conseguir reunir dados que vão desde a triagem remota até o atendimento no pronto-socorro e internação. “Essa visão completa do paciente pode ajudar as equipes médicas a tomar as melhores decisões”, diz Cristian Rocha.

Com uma operação que cresceu 250% em 2020 e já se paga, a Laura vai usar o investimento de R$ 10 milhões para expandir sua atuação no mercado nacional e internacional. A meta dos sócios é que a empresa cresça pelo menos 200% em 2021, chegando a 80 instituições de saúde clientes no Brasil. Fora do país, o objetivo é expandir para a América Latina: os primeiros mercados internacionais devem ser Peru e Colômbia.

“As empresas em que a gente investe precisam resolver problemas globais, e não localizados. O problema que a Laura resolve está no mundo todo, então nossa expectativa é que assim que a Laura ganhar musculatura no Brasil possamos criar oportunidades internacionais; as expectativas são muito grandes para que ela se torne uma empresa global nos próximos cinco anos”, afirma Geraldo Neto, sócio do GAA Investments.

O aporte na empresa curitibana acontece em um momento em que o mercado de healthtechs está aquecido no Brasile no mundo. Em 2020, o setor recebeu US$ 106,1 milhões em aportes, 70% mais que em 2019, segundo análise da startup Distrito. Hoje, há cerca de 670 startups de saúde no Brasil — 25% delas atuando no mercado de gestão de prontuários eletrônicos.

“A indústria de healthtechs vem crescendo e amadurecendo de maneira constante e sólida. Nos últimos anos, o setor já estava atraindo a atenção de empreendedores e investidores e a pandemia acelerou ainda mais esse movimento”, afirma em nota Gustavo Araujo, fundador do Distrito.

Fonte: Exame

COMPARTILHAR
VEJA TAMBÉM
35288247962-b1ecf8d9b7-c

Solução de captura técnica de provas digitais da Verifact é utilizada pelo TSE e MPF

Tecnologia de coleta e preservação de provas digitais desenvolvida pela empresa Verifact, associada a AB2L, foi usada pelo Ministério Público Federal e Tribunal Superior Eleitoral nas últimas eleições
_113967234_hi031081850

Em resposta ao ChatGPT, Google planeja lançar 20 projetos de inteligência artificial em 2023

A empresa queria ir devagar, mas a ameaça externa da OpenAI acelerou o planos
Captura de tela 2023-01-27 094937

Cinco tendências de tech e ESG apresentadas em Davos

Diversidade e inclusão foram alguns dos principais destaques do relatório sobre o cenário atual do mercado global de tecnologia, lançado durante o Fórum Econômico Mundial
Captura de tela 2023-01-27 094517

“Não há falta de dinheiro para startups”, diz cofundador da Liga Ventures

Guilherme Massa explica que os desafios têm relação com um tempo maior de decisão dos investidores baseado no momento econômico e na busca por retorno
EMPRESAS ALIADAS

Receba nossa Newsletter

Nossas novidades direto em sua caixa de entrada.