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Bitcoin é investimento com a maior alta no semestre; Bolsa sobe há quatro meses

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Bitcoin é investimento com a maior alta no semestre
Imagem: Pixabay

O bictoin é o ativo que mais se valorizou no primeiro semestre de 2021, de acordo com o buscador de investimentos Yubb, que considera as aplicações mais populares entre brasileiros. A criptomoeda acumulou alta de 19,65% no período, sendo o único ativo do levantamento a superar o IGP-M (Índice Geral de Preços ao Mercado, usado no reajuste dos aluguéis), que sobe 15,08% neste ano.

A disparada de 103% do bitcoin nos três primeiros meses do ano, com a entrada de investidores institucionais, superou a queda de 41,3% no segundo trimestre, com diversas pressões regulatórias sobre o setor. “No primeiro trimestre, o bitcoin vinha de uma alta que havia se iniciado no ano de 2020 e foi quebrando máximas históricas em sequência até atingir o seu pico, na casa dos US$ 63 mil”, diz Vinícius Chagas, analista da Blockchain Academy.

No segundo trimestre, porém, as discussões a respeito do consumo energético de mineração do bitcoin, com destaque para o fim do uso da moeda pela Tesla, e a pressão chinesa em cima dos mineradores e dos reguladores de mercado, levaram a uma realização. “Nem mesmo a grande notícia de que o Bitcoin passa a ter curso legal em El Salvador serviu para retomar o otimismo no mercado”, diz Chagas.

O Ibovespa, por sua vez, é um dos investimentos com a maior rentabilidade no semestre (6,5%) e em junho (0,46%), na quarta alta mensal seguida do índice. “Estamos encerrando o semestre de um jeito bem melhor do que começamos”, diz João Leal, economista da Rio Bravo. A recuperação da queda de 7,5% do índice nos dois primeiros meses do ano foi impulsionada por dados econômicos melhores do que o esperado, como o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre, que subiu 1,2%, e pelo avanço da vacinação contra o coronavírus.

No início do mês, o Ibovespa estabeleceu um novo recorde nominal (sem contar a inflação), aos 130.776 pontos. Leal também ressalta a relativa tranquilidade em Brasília em comparação a períodos passados. “Tivemos a falta de novos estresses. O governo se manteve mais comedido na parte fiscal e política.” Já o dólar terminou a quarta a R$ 4,9720, alta de 0,60% no pregão. Na máxima, foi a R$ 5,0240. Desde o dia 22 de junho a moeda não era negociada acima de R$ 5.

Em junho, a moeda cedeu 4,8%, rompendo a barreira psicológica dos R$ 5 pela primeira vez em pouco mais de um ano. Este foi o terceiro mês seguido de queda da divisa dos EUA ante o real, que, no semestre, cedeu 4,18%. A desvalorização foi fruto do ciclo de alta de juros no Brasil. A Selic, que estava a 2% no início do ano, foi para 4,25% e o mercado vê a taxa a 6,5% ao fim do ano. Juros mais altos no Brasil tendem a beneficiar o real por estratégias de carry trade. Elas consistem na tomada de empréstimos em moeda de país de juro baixo (como o dólar) e compra de contratos futuros da divisa de juro maior (como o real). O investidor, assim, ganha com a diferença de taxas.

Além disso, a dívida pública em relação ao PIB caiu nos últimos meses, atraindo investidores estrangeiros. Na terceira queda mensal consecutiva, a dívida bruta do governo foi a 84,5% do PIB em maio, segundo o Banco Central. Na Bolsa, há uma entrada líquida de R$ 65 bilhões de investimento estrangeiro este ano, segundo dados da B3 até a segunda (28), o que impulsionou a alta da Bolsa e a queda do dólar. Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 subiu 14,4% no primeiro semestre, com cinco meses consecutivos em alta, enquanto o Dow quebrou uma sequência de quatro meses de ganhos e terminou junho em baixa de 0,08%, com ganho de 12,7% no semestre. O Nasdaq também ganhou terreno em junho, subindo 5,5% e no semestre, 12,5%. Todos os três índices registraram o quinto trimestre consecutivo de ganhos, com o S&P subindo 8,2%, o Nasdaq avançando 9,5% e o Dow cravando alta de 4,6%.

Nesta quarta, o S&P 500 registrou nesta quarta sua quinta sessão consecutiva com máximas recordes de fechamento, acumulando ganhos de 2,27% em junho. Neste mês, o apetite do investidor favoreceu ações de crescimento, com um afastamento de papéis sensíveis aos ciclos econômicos. “Os setores líderes até este momento do ano são aqueles que você esperaria: energia, finanças e indústria, e isso reflete um ambiente econômico que está nos estágios iniciais de um ciclo”, disse Robert Pavlik, gestor de portfólios da Dakota Wealth. Ele diz que os investidores começaram a voltar para as ações de crescimento depois que o presidente do Fed (banco central americano), Jerome Powell, voltou a dizer que a pressão inflacionária é transitória.

As altas do índice em junho foram lideradas por Via Varejo (21,65%), Braskem (18,93%) e CVC (15,85%). Na ponta de baixa, os destaques foram Gol (-14,36%), Cielo (13,54%) e RaiaDrogasil(-12,21%). “A recuperação econômica continua a todo vapor no Brasil e no mundo”, afirmou o diretor de investimentos da Reach Capital, Ricardo Campos, acrescentando que isso prejudica o cenário de estímulos fiscais e monetários em abundância. Os últimos pregões do mês ainda refletiram a reação a mudanças tributárias propostas pelo governo brasileiro, incluindo aumento do limite de isenção do IR a pessoas físicas e redução da alíquota sobre empresas, mas taxação de dividendos e o fim do benefício fiscal de juros sobre o capital próprio.

Do ponto de vista do acionista, afirmaram os estrategistas do Itaú BBA Marcelo Sa e Matheus Marques, em relatório encaminhado a clientes nesta semana, a redução dos impostos sobre empresas não seria suficiente para compensar o fim do mecanismo de JCP e a tributação sobre dividendos. Eles acrescentaram, contudo, que este debate é muito complexo e que acreditam que pode haver mudanças significativas no projeto antes de ser colocado em votação. No pregão desta quarta, a maior alta foi do Banco Inter (5,36%), após aprovar pagamento de juros sobre capital próprio e em meio a movimento recente de estrangeiros comprando participações em fintechs brasileiras.

A maior queda foi de B2W (3,80%), com outras varejistas também em queda, após números ainda negativos sobre a recuperação do mercado de trabalho no país. Os preços do petróleo avançaram nesta quarta, em direção a ganhos mensais e trimestrais, após os estoques dos EUA recuarem pela sexta semana consecutiva, e com relatório da Opep prevendo um suprimento insuficiente ao mercado deste ano. O contrato do petróleo Brent (referência internacional) para agosto, que expira nesta quarta, fechou em alta de 0,5%, a US$ 75,13 o barril, subindo mais de 8% em junho. O patamar está abaixo das máximas atingidas em 2018 marcam o sétimo mês de ganhos em oito meses.

Texto original de Júlia Moura, publicado pela Folha

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